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Maria Filomena Falè Maria Filomena Falè

A Viagem de Alice - Juventude a torto e a direito

Nos últimos tempos deu-me para prestar atenção aos apelos e à preocupação com a juventude, em toda a comunicação social, nos programas de governo, etc.

É a ordem do dia: a juventude.

É o desemprego na juventude, as depressões na juventude, a moda da juventude... até nos mais sérios programas de debate, sobre os mais variados temas, se dá “direito de antena” a alguns jovens...

Nada tenho contra os jovens, como é evidente.

A juventude é uma fase da vida dolorosa, intensa, extremada e complicada pela qual todas as pessoas têm que passar.

É uma fase de aprendizagem determinante para o adulto que todo o jovem um dia será.

Muito embora, hoje em dia, tudo esteja misturado e já não se sabe bem quem é jovem e quem não o é.

Afinal de contas, até que idade é que se é jovem? Tendo em conta que se considera um marmanjão de 30 anos “um jovem empresário”...

Uma pessoa aos 30 anos tem a obrigação e o dever de ser um adulto e de se comportar como tal.

Com todos os direitos e responsabilidades que esse estatuto implica.

A manutenção do estatuto de jovem eternamente e a idolatria à volta dos jovens... confesso que me irrita um bocado.

Numa sociedade saudável, trata-se com carinho e desvelo os mais novos.

Mas não se ouve a opinião deles em êxtase, como se de iluminados se tratasse.

Numa sociedade saudável educam-se os mais novos com liberdade e responsabilidade; ensinam-se a perguntar e incentivam-se a procurar respostas.

Porque são eles que vão construir o futuro.

Mas são os mais velhos e os mais sábios que amassam o presente.

E demitirem-se dessa tarefa é um facada no futuro.

Porque há um tempo para tudo.

E quando os tempos se trocam... soltam-se a confusão e a dúvida.

Maria Filomena Falè