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Maria Filomena Falè Maria Filomena Falè

A Viagem de Alice - Pecados e pecadilhos

Se há conceito que esteja arreigado no ser humano é o conceito de pecado.

Inevitavelmente ligado ao conceito de culpa.

Ambos os conceitos foram desveladamente sustentados pelas religiões, porque nada há de mais manipulável do que pessoas com medo: medo de pecar e cheias de culpa.

Os exércitos de fiéis que as várias religiões conseguiram formar degladiam-se até hoje, com os resultados que sobejamente se conhecem.

Ora o certo é que sempre ouvi dizer que “tudo o que é bom na vida... ou engorda, ou faz mal ou é pecado”!

Pecado não é ter prazer em saborear uma iguaria requintada, até porque cozinhar é um acto de amor e de risco que deve ser apreciado com deleite.

Pecado não é abrir uma garrafa de um bom vinho tinto, para degustar com reverência e respeito.

Pecado não é tocar noutro corpo com prazer e gemidos atravessados no céu da boca.

Pecado não é duvidar, nem não aceitar dogmas.

Pecado não é lêr.

Pecado é interditar, é criar dogmas, é proibir o corpo, o prazer, a comida, a dúvida.

Pecado é instigar a culpa.

Nesse sentido, todas as religiões são pecadoras.

Irremediavelmente pecadoras.

Para além dos pecados, restam os pecadilhos.

E desses, ninguém está isento.

Um bela fofoquice, um remexer na vida alheia, uma mentirita de vez em quando, um ataque de preguicite aguda a que não se consegue resistir...

Mas como nada disto se vive em equivalência, podemos estar descansados, porque 5 ou 10 pecadilhos não valem o mesmo que um pecado.

Por aí, a redenção está garantida.

E também é verdade que nada se lava ou redime com 10 orações, ou com um cinto cheio de explosivos, ou até mesmo com um auto de fé.

Nem uma bula serve!

E a redenção continua garantida.

Já o disse e repito: há religiões a mais e Deus a menos.

Mas a ordem natural do universo é ir ao encontro do Divino.

Sem pecado ou culpa.

Sem medo.

Maria Filomena Falè