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Maria Filomena Falè Maria Filomena Falè

A Viagem de Alice - O sofrimento e a dor

Parecem iguais mas não são; confundem-se e são diferentes.

Entre o sofrimento e a dor há uma distância enorme.

A dor pode ser física ou não, mas nada tem a vêr com o sofrimento.

Um parto implica dor e total ausência de sofrimento, pelo contrário mistura dor e alegria.

Um tratamento a uma lesão implica dor, misturada com alívio.

A morte de alguém muito querido pode provocar uma dor enorme, mas não tem que implicar sofrimento, se implicar aceitação.

A dor faz parte da vida, pelo menos até um certo ponto; acredito que há um ponto a partir do qual a dor não se pode aceitar.

Sofrimento é outra coisa.

O sofrimento é iníquo e diminui as pessoas, rouba-lhes a dignidade.

Nada justifica o sofrimento.

Sofrimento tem a vêr com tortura, com impotência, com o cheiro do medo.

Pura e simplesmente... não se pode aceitar.

Há, ainda o sofrimentozinho, que é acarinhado e exibido.

É o diminutivo do sofrimento; tal como o doi-doi é o diminuitivo da dor.

É nesta amálgama de sofrimento, dor e sofrimentozinho que todos nos vamos cruzando.

Posto que a dor é inevitável mas não doi assim tanto, que o sofrimento existe e pode doer mais do que a própria dor e que o sofrimentozinho não serve para coisa nenhuma...

O que resta?

Resta a certeza de que a felicidade é uma vocação e que pode ser conjugada teimosamente, por quem não se deixa abalar pela dor, nem pelo sofrimento.

Maria Filomena Falè