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Maria Filomena Falè Maria Filomena Falè

A Viagem de Alice - A (pior) demora

“Se não puderes amar, não te demores”
(Eleanora Duse)

Desde que cheguei ao planeta Terra que tenho constatado que há duas coisas que os seres humanos fazem com denodo:

– demoram-se no que não amam;

– não agradecem quando amam e se sentem bem.

Parece que têm vergonha de serem felizes e adoram martírios.

De tudo o que tenho observado, vejo por toda a parte pessoas que não amam o trabalho que têm, que não são felizes com as relações que mantêm, que não se sentem  integrados nas comunidades onde vivem.

E ficam em situações de insatisfação tempos e tempos, muitas vezes durante toda a vida.

Não sei se por inércia ou por gosto (porque há muita gente que gosta de sofrer).

Ou se por outro motivo qualquer.

A frase da Eleanora Duse é genial e deveria ser copiada e distribuída a toda a gente desde muito cedo.

Deveria ser repetida, como se fosse um mantra.

E deveria ser praticada com devoção.

“Se não puderes amar, não te demores”.

Simples.

Sem margem para erro.

Só se deve manter o que se ama.

E o que se ama deve retribuir, porque dar sem receber cria vazios no avesso, na parte de dentro do coração.

Só se pode demorar no que se ama. E nesse demorar avança-se.

Porque tudo o que é movido a amor tem uma velocidade própria, que não se coaduna com águas estagnadas.

Na demora vertiginosa do encontro com o que se ama, curam-se as feridas, ganham-se forças.

Se esta frase fosse praticada no quotidiano... o mal estar, a insatisfação, as lágrimas que se poupariam com a manutenção teimosa da demora no que não se pode amar.

Maria Filomena Falè