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A viagem de Alice - Os “eleitos”

Artigo 1.º

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

(in Declaração Universal dos Direitos do Homem)

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos... mas há alguns que se entendem por diferentes.

Entendem-se como “eleitos”.

Esse entendimento tem, desde sempre, dado azo a que acções com graves consequências tenham sido levadas a cabo.

Como exemplos, ocorreram 3 acontecimentos, nos últimos dias que devem ser realçados.

– O massacre em Orlando. O motivo não importa. Mas quem consumou o massacre certamente que se considerou um “eleito”. Eleito para levar a cabo uma tarefa sinistra e insensata, porque o assassínio nunca tem senso.

– Os  confrontos em França entre adeptos de diferentes selecções de futebol. Eleitos para expressarem fanatismo e estupidez. Em matilha os eleitos têm mais força.

– Em Cabo Verde, personalidades representativas da sociedade usam as redes sociais para confessarem os seus actos mais íntimos, os segredos inconfessáveis. Tudo preto no branco, confissões redigidas em cartório, com assinaturas reconhecidas presencialmente. Eleitos para expiações públicas, um verdadeiro auto de fé dos tempos modernos.

Todos estes actos estão ligados e o denominador comum é a raiva, o ódio, a exclusão.

Mãos manchadas de sangue, mentes corrompidas pelo fanatismo, fervor desnorteado.

Em nome do vazio. Todos eles manipulados por quem fica na sombra.

Se todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos... pois que vivam livres e iguais, em dignidade e direitos.

Chega de “eleitos”... no futebol, na política, na religião. Onde eles tocam tudo murcha.

Porque pode chegar o dia, em que a Declaração Universal dos Direitos do Homem não passe de uma piada ou do eco de uns sonhadores.

Maria Filomena Falè