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A viagem de Alice - Obesos e esfomeados

Terra bô sabê ke mistid xis tantu/pa kada homem vivê si ma gente” Renato Cardoso

Renato Cardoso foi um visionário.

Asassinado em Setembro de 1989, em circunstâncias não explicadas até hoje.

Ele sabia que há o suficiente para todos.

Que não há necessidade de uma só pessoa passar fome. Há que chegue.

A verdade é que todos sabemos isso, até os poucos que “mexem os cordelinhos” e que pensam que pessoas com fome são pessoas manipuláveis.

Os que “puxam os cordelinhos” também sabem que pessoas com excesso de alimentação são pessoas adormecidas, logo facilmente manipuláveis.

E o mundo gira entre mortos de fome e obesos, ambos preocupados com comida, embora por razões totalmente diferentes.

Por motivos totalmente diferentes, não questionam para lá do estômago.

A diferença entre uns e outros reside no facto de uns estarem adormecidos para o que se passe para lá do pseudo bem estar e os outros estarem acordados e poderem começar a perguntar a todo o tempo.

Comer coisas boas, ter um tecto confortável, ganhar o suficiente é um direito de todos. Não é um favor, nem uma benesse.

Viver em função de comida e do supérfluo é regredir e é terreno fértil para uma qualquer governação (muito) musculada.

Nada tenho contra ricos.

Tenho tudo contra a existência de pobres.

Não aceito a fome, sobretudo quando muitos dos recursos que poderiam acabar com a fome de uma vez por todas são utilizados para alimentar animais que vão servir para alimentar pessoas com excesso de peso.

Ou seja, que vão entorpecer ainda mais muitas e muitas e muitas pessoas.

É uma corrente (alimentar) perversa, em que todos são parte de uma engrenagem, como se peças de máquinas fossem.

E os que “mexem os cordelinhos” vão-se tornando cada vez mais poderosos, entre esfomeados e obesos.

Maria Filomena Falè