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A viagem de Alice - Os lambe-botas

Um bajulador é aquele que alimenta um crocodilo e que espera comê-lo, no final. Winston Churchill

A raça humana tem várias sub-espécies.

São transversais a toda a humanidade, existem em toda a parte e a sua erradicação está longe de ser conseguida.

Uma dessas sub-espécies é a dos lambe-botas.

São fáceis de detectar.

Voz untuosa, modos subservientes, sempre prontos a dobrar a espinha para lamber as botas dos poderosos e rápidos humilhar os julgam que não o são.

Existem em todos os sectores, em todas as empresas, em todo o lado.

Fazem parte de um binómio, em que um dos lados não existe sem o outro.

Se por um lado um lambe-botas está sempre pronto para bajular quem pensa que tem poder, também há o outro lado, cuja vaidade fica satisfeita com as saracoteios dos lambebotas.

Não teria grande problema se fosse uma relação a dois. Infelizmente é uma relação com efeitos colaterais, por isso pode afectar muita gente que está fora do binómio.

Tudo o que um lambe-botas quer é “subir na vida”, com tudo o que isso representa para os seus padrões. Tudo o que ele quer é ser poderoso, mandar... e ter outros a lamberem-lhe as botas.

A prática da bajulação diminui quem a pratica e quem é alvo dela.

Não se baseia em dignidade, verdade, integridade.

Reduz-se a um revoltear apatetado, a uma coerografia de sorrisinhos e de palavras ocas.

A espinha dobrada de um, o sorriso vaidoso do outro. Ora agora fazes tu, ora agora faço eu.

É um baile com consequências imprevisíveis.

Porque, de vez em quando... o crocodilo é comido!

Maria Filomena Falè