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Johann Fichte Johann Fichte

A viagem de Alice - A melhor Pátria

A língua de um povo é a sua alma.

Johann Fichte

Se há ideia perversa é a ideia de nacionalismo.

É um conceito que é usado a torto e a direito, justificativo de todas as mortandades, de todos os desmandos, de todos os destemperos.

Até no futebol!

Ouvi vários comentários a referir que a selecção francesa não era integrada por franceses, mas sim por africanos. O mesmo em relação à selecção portuguesa e italiana e inglesa e...

Ora os nacionalismos são grosso modo, medidos em função de um país. E o que é um país?

É pedaço de terra com limites, a que se chamam fronteiras. Tudo o que está dentro desse perímetro é governado por um determinado governo.

E assim sendo... a noção de país e de nacionalismo confundem-se.

E as asneiras sucedem-se.

Seria conveniente e acertado as pessoas pertencerem a uma língua e não a um país.

As línguas vivas são dinâmicas, elásticas, progressistas.

As fronteiras são duras, imóveis, passadistas.

Nas línguas, todos os dias são criados novos termos, são faladas com sotaques de origens diversas.

Assim, em vez das pessoas se identificarem como sendo espanholas, portuguesas, francesas ou chinesas, passariam a dizer: eu sou do espanhol, ou do francês, ou do português.

Fala-se francês no Senegal e português em Timor.

Fala-se espanhol em Cuba e inglês na Austrália.

As línguas são transversais e trans-fronteiriças.

São inclusivas.

Podiam ser a melhor pátria.

A realçar as almas de todos os povos, unidos por idiomas, em vez de separados por conceitos nacionalistas.

Maria Filomena Falé