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A viagem de Alice - A queda do império (I)

Não há maior cego do que aquele que não quer vêr.

Provérbio português

Os sinais estão todos bem vísiveis.

A maioria não quer vêr e não há maior cego do que aquele que não quer vêr.

Quem não quer vêr só presta atenção ao seu pequeno mundinho; a cerveja fresca, a telenovela que passa à hora marcada, o carrito sempre com a gasolina na reserva de que não se prescinde para fazer um trajecto de 10 mn até à porta do trabalho.

Quem não quer vêr não sabe – porque não quer saber – que o seu pequeno mundinho está integrado num mundo maior e maior e maior.

Todos os impérios são integrados por pequenos mundinhos, mas os impérios são maiores do que a soma dos mundinhos.

E os impérios estão à beira do precipício, em pleno processo de implosão.

Não são os primeiros impérios a implodir, espero que sejam os últimos.

Os sinais estão todos bem à vista.

O golpe de estado na Turquia; o Daesh e o Isis; o louco de Nice; os refugiados; o Boko Haram; a senhora Le Pen a subir; o Donald Trump a crescer; o King Jon-Woon a desmandar na Coreia do Norte.

Todos os regimes musculados anseiam por ter poder. Com desespero.

Nem que para isso tenham que esmagar, torturar, prender quem lhes tencione fazer frente.

Para que possam (re)surgir das trevas, nada melhor do que um mundo constituído por pessoas que não querem vêr, os cegos voluntários.

Viva o futebol e o pokemon.

“Que se lixem os estropiados, os procurados, os que ousam pensar de forma diferente.”

“Raio de gente, sempre a arranjar chatices, então já não se pode viver em paz?”

“Filosofia, escritores e pintores? Mas para que raio serve essa gente?”

“A melhor filosofia é o trabalho, pois então.”

“Os livros gastam os olhos e a pintura não serve para nada que para enfeitar a parede da sala qualquer fotografia colorida serve.”

Não tenho dúvidas que “O ensaio sobre a cegueira” está a tornar-se realidade.

Que é como quem diz, a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam.

Maria Filomena Falè