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A Viagem de Alice - A queda do império (II)

Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada Edmund Burke

A queda do império é uma forte possibilidade, a implosão do mundo como o conhecemos configura-se como uma realidade cada vez mais nítida.

E se assim é, em parte é por dúvida.

A dúvida das pessoas boas.

O mundo está repleto de pessoas boas, conscientes, capazes, inteligentes... mas que acham que não vale a pena fazer nada, porque acham que não podem mudar o mundo. Como acham que nada podem fazer... nada fazem.

É um déficit de querer e de coragem, aquele querer e aquela coragem que vêm do coração e que fazem milagres. Onde a dúvida não tem lugar.

Pois eu digo: não é possível mudar o mundo todo duma vez, mas é possível mudá-lo aos poucos.

Casa a casa, rua a rua, empresa a empresa...

É um trabalho de guerrilha a ser feito com carácter de urgência.

Se nada for feito, as palavras inspiradas de Eduardo Alves da Costa podem tornar-se realidade:

Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles

entra sozinho e nossa casa, rouba-nos a luz ,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.

E quando a luz se for, quando a voz for arrancada, quando o medo possuir... o império vai cair.

Ser bom não é o suficiente. É a hora dos homens bons se armarem de querer.

Só há um momento certo para tal: é o momento do agora.

Maria Filomena Fale'