Published in Blog
maria filomena fale' maria filomena fale'

A Viagem de Alice - O vício do pokemon

Temo o dia em que a tecnologia ultrapassar a interactividade humana. O mundo terá uma geração de idiotas.
Albert Einstein

O delírio colectivo com pokemon provoca-me tristeza e um imenso espanto.

Tenho a certeza de que quem se entrega à procura afincada de criaturas virtuais... perdeu a capacidade de se relacionar em condições com outros seres humanos e é um autista emocional.

Se é pelo prazer de fazer uma caça ao tesouro... então que se organizem verdadeiras caças ao tesouro.

Com pistas, com caminhos complicados a percorrer, com códigos e anagramas à mistura.

Uma caça ao tesouro implica planificação por parte dos organizadores (logo implica pessoas a interagir) e a caça pode fazer-se em grupo, com conversa, riso e troca de ideias (bem mais simpático do que seguir directivas dadas por um ecran de uma engenhoca qualquer).

Os pokemon são os gambozinos da actualidade.

Para quem não conhece a palavra, gambozinos são animais imaginários, com que se enganavam as pessoas ingénuas, mandando-as caçá-los.

O pokemon também é imaginário assim como toda a parafernália que o rodeia.

E imaginário por imaginário...pela minha parte já decidi: vou dedicar-me a caçar gambozinos e a procurar dragões.

Vou até tentar fazer amizade com eles, coisa que, com toda a certeza, não posso fazer com o pokemon.

O pokemon arrebata adultos, jovens e crianças. Todos numa procura estéril de apanhar uma criatura meramente virtual.

Todos num processo de desaprendizagem de humanidade.

O pokemon é uma das pontas de um iceberg, uma mole imensa de pessoas que desaprenderam de comunicar, que lentamente se estão a desligar da essência da humanidade: a capacidade de relacionamento.

Em vez de andarem numa procura desenfreada do raio do bonequinho... podem passar uma excelente tarde a lêr, ou a ouvir música, ou sentados em qualquer lugar, em silêncio;

esse silêncio será muito mais deleitoso se for acompanhado por alguém de quem se goste, porque não há muitas experiências mais sublimes do que a de um longo silêncio partilhado.

Maria Filomena Fale'