Published in Blog
maria filomena fale' maria filomena fale'

A Viagem de Alice - O reboliço da campanha para as autárquicas

A democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras que
foram experimentadas.
Winston Churchill

Cabo Verde anda num reboliço.

As eleições autárquicas estão à porta e o país está em suspenso.

Num estado arquipelágico, as eleições autárquicas ganham uma importância enorme,devido ao afastamento imposto pelo mar entre as várias ilhas.

Comício que se preze tem que ter música, discursos inflamados, dança e uns copos e bafas à mistura.

É o desvario a atingir níveis de festa, como sempre sucede por estas paragens.

O povo cabo-verdiano é emocional e vive cada alegria e cada tristeza como se fosse a derradeira. E cada comício também.

Cantigas, bandeirinhas, funaná, pinchos e frango grelhado.

Aplaudem-se os candidatos e, no final, todos têm a certeza da vitória.

Há semanas que o cidadão comum atira as munições destinadas a denegrir o candidato oposto. Já ouvi histórias rocambolescas (tenho a certeza que mero fruto de imaginação) acerca de todos os candidatos.

Há semanas que os candidatos calcorreiam as respectivas ilhas.

Que discursam.

Que enfrentam o Verão intenso que se tem feito sentir e de que maneira - enfrentam o calor, a humidade, os mosquitos, o pó.

Não sendo possível encontrar candidatos que debatam – unicamente – ideias, com respeito e admiração pelo adversário (tal não acontece em parte alguma do planeta, que eu saiba) e sendo absolutamente actuais as palavras de Churchill… resta a festa e a alegria total com que se vivem as campanhas eleitorais nestas ilhas no meio do mar.

Tenho que referir que os caboverdianos são profundamente politizados e têm um enorme interesse na vida política do país.

Os plenários da Assembleia Nacional são apaixonadamente seguidos pela rádio e comentados e discutidos em toda a parte.

Um povo politizado não perde um comício, nem os brindes que neles são oferecidos.

No afã da distribuição de camisolas, bonés e bandeirinhas... há quem se vista com o apelo a todos os candidatos.

Pluralismo maior não pode haver.

É a democracia ao ritmo do funáná e do batuque.

Pode ser a pior forma de governo mas com música e dança... é vivida com alegria. E melhor não pode haver.

(Esta crónica foi escrita antes das eleições, logo com total desconhecimento da identidade dos vencedores das mesmas).

Maria Filomena Fale'