Published in Blog
maria filomena fale' maria filomena fale'

A Viagem de Alice - O ovo e a galinha

Não vivemos para comer, comemos para viver.
Sócrates

Um facto incontornável tenho observado em toda a parte.

Há muita gente com excesso claro de peso.

E, estranhamente, quanto mais excesso de peso as pessoas têm... mais comem!

Comem como se não houvesse amanhã, pratos a barrotar de comida.

Se por acaso estão num buffet, olham de forma ávida e invejosa para os pratos das outras pessoas, como se a comida fosse terminar a qualquer instante.

Confesso que me faz confusão.

Não por motivos estéticos, porque acho que as pessoas mais cheiinhas podem ter imensa graça, charme e ser tão desejáveis como as pesoas mais magras.

É o que está por trás do peso e do gosto exegerado pela comida.

Porque a comida é uma compensação primária. Compensação para a solidão, para o abandono, para a insegurança.

Depois... é a história do ovo e da galinha, que ninguém sabe o que surgiu primeiro.

As pessoas são gordas porque comem em excesso e mal e comem em excesso e mal porque são gordas.

É perverso.

O mesmo se passa em relação ao exercício físico: não fazem exercício puxado porque são gordas e são gordas porque não o fazem.

E também não o fazem para não mostrarem que são anafadas, porque a ditadura (palerma) dos corpos jovens e esbeltos está profundamente enraízada nas mentes mais abertas.

A mágoa que é apaziguada com um pudim ou um naco de carne é profundamente triste.

A comida torna-se um sentido da vida.

E torna a vida sem sentido.

Maria Filomena Fale'