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maria filomena fale' maria filomena fale'

A Viagem de Alice - Os advogados

Mas tu fazes lá ideia do que é ser advogado?
(…) Um advogado não tem horas. As suas horas são as dos seus clientes e cada cliente
é um patrão (…). As causas dos outros são as suas e por isso a vibração dos seus nervos
é a vibração das vibrações dos nervos dos seus clientes.
E “advogados que não são assim não são advogados”
Ary dos Santos in “Nós os Advogados”, 1934

Se há profissão invejada e desacreditada é a profissão de advogado.

Injustamente invejada e injustamente desacreditada.

Injustamente invejada porque se crê que todos os advogados são ricos; nada está mais longe da verdade.

Injustamente desacreditada porque se crê que todos os advogados são aldrabões; nada está mais longe da verdade.

Advogados não são paladinos de lança em riste, a lutarem contra moinhos de vento qual D. Quixote. Nem são uma instituição de caridade.

São profissionais que tratam sempre e só de problemas; de problemas dos outros. Que fazem os problemas alheios seus.

E que são pagos por isso.

Não há honorários que paguem as horas de estudo, de reflexão.

Não há honorários que paguem as horas que se roubam ao sono, a trabalhar noite fora.

Não há honorários que paguem um trabalho que se faz com paixão.

Os advogados cobram honorários, porque também têm que comer e que pagar as suas contas. Simples.

E todo o trabalho merece ser remunerado.

Conheço bastantes advogados, todos eles pessoas de bem, todos eles inteligentes e com sentido de humor.

Que colocam todo o seu saber e paixão ao serviço dos seus clientes.

Ser advogado é trabalhoso, é duro, é exigente.

Por isso, quem exerce a profissão com denodo deve ser respeitado.

Como em tudo o que existe, também há advogados que não são sérios, mas esses “não são advogados”, no sentido que lhe foi dado pelo Ary dos Santos.

Maria Filomena Fale'