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A Viagem de Alice - O discurso do Presidente

A liberdade “não é compatível com ausência de segurança, nem com um Estado fraco”
Sua Exa o Presidente da República de Cabo Verde, no discurso de tomada de posse

Gosto do Presidente da República de Cabo Verde.

Não somos amigos e ele não me paga nada por eu dizer isto... mas gosto dele.

Acho que é uma pessoa ponderada, inteligente e, acima de tudo, um humanista.

Também é um homem que ama a cultura das ilhas e esse amor eu partilho com ele.

Concordo com ele quando diz que o exercício pleno da liberdade não é compatível com a ausência de segurança (nem poderá ser incompatível, pois uma coisa implica a outra)...não tem é nada a vêr com Estado fraco ou forte.

Idealmente o Estado nem seria necessário, nem forte, nem fraco.

A insegurança que (já) se manifesta em algumas ilhas tem a vêr com desemprego, com probreza e, acima de tudo, com mentalidade (eu chamo-lhe opção espiritual, porque o é).

O Presidente também referiu – e muito bem – essa necessidade de mudança de mentalidade, noutra passagem do seu discurso.

É urgente criar trabalho.

Não no sector público, porque o Estado não tem que prover o sustento dos cidadãos.

Pode – e deve – é colaborar com as empresas e os particulares na criação de trabalho.

Criar condições favoráveis aos investimento.

Ajudar a promover uma sociedade harmoniosa.

Com trabalho e sem fome.

Tudo o mais terá que ser fruto de uma mudança de mentalidade.

Repetir até à exaustão que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.

As coisas, quando são repetidas muitas vezes... tornam-se realidade (até as mentiras).

E saber que, quando se morre... nada se leva.

A união das duas ideias conduzirá, inevitavelmente, a uma alteração da mentalidade, individual e colectiva.

Porque não mais se invadirá o outro, por respeito à sua liberdade.

Porque não mais se cobiçará seja o que for, por ser desnecessário.

Muitos já andaram e andam à volta destes temas.

Escreveram, debateram e degladiaramse.

Até aos dias de hoje e desde sempre.

E afinal... é tão simples.

Maria Filomena Fale'