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Morre o Maestro Nho Djonzinho de Chã

  • Descendente do Conde Francês Armand De Montrond, que ao que tudo indica chegou a Cabo Verde por volta de 1872, Nho Djonsinho nasceu a 24 de junho de 1932, em Chã de Caldeiras, sendo originário de uma família de músicos.

Santa Maria - 22 de Outubro - A ilha do Fogo acordou triste com a notícia do desaparecimento do exímio violinista Joao Montrond, carinhosamente conhecido por Nho Djonzinho de Chã das Caldeiras.

 

A cultura foguense está mais pobre. Cala-se a voz que entoava “menininhas de txada scora” e silencia o arco do violino mais querido da ilha .

 

Morre também o grande sonho de Nho Djonzinho, que era a possibilidade de produzir um trabalho discográfico a solo.

Descendente do Conde Francês Armand De Montrond, que ao que tudo indica chegou a Cabo Verde por volta de 1872, Nho Djonsinho nasceu a 24 de junho de 1932, em Chã de Caldeiras, sendo originário de uma família de músicos.

Nho Djonsinho aprendeu a tocar violino nos anos 40. Com dez anos já animava bailes de casamento, batizados e outras festas tradicionais da ilha, onde "talaia-baxu" e "mazurca" eram os géneros musicais mais apreciados para dançar.

“Talaia-baxu” é o ritmo típico da ilha, que encontra no artista Djonsinho Montrond, de Chã das Caldeiras, o seu expoente máximo e com frequência é solicitado para participar em eventos culturais em vários pontos da ilha.

Com os filhos e netos, também grandes tocadores de instrumentos musicais tradicionais, formou um grupo musical que privilegia a vertente tradicional, com destaque para “talaia-baxu”. Grupo esse que tem deliciado os turistas que diariamente visitam a cratera.

Apesar da sua capacidade artística, Nho Djonsinho não chegou a registar o seu trabalho em disco, não obstante várias participações em trabalhos discográficos juntamente com outros artistas de Chã de Caldeiras, sendo o último cd, intitulado "Ratoeiro", gravado para angariar fundos para apoiar o desenvolvimento da sua comunidade.

Nho Djonzinho viveu irradiando alegria, procurou sempre dar a todos um sorriso sempre aberto. Chã das Caldeiras perde um dos seus expoentes. Morreu na madrugada de hoje aos 84 anos de idade, mas a sua obra vai permanecer sempre viva.

A Rádio Mosteiros FM, nesta hora de dor, apresenta as suas mais sentidas condolências por esta perda irreparável.

Fabrizio Baiocchi
Rádio Mosteiros FM