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Quem matou Cabral? Quem matou Cabral?

“Atirador de Amílcar Cabral foi um dos principais elementos da força marinha do PAIGC"

  • Numa entrevista ao Ocean Press Álvaro Dantes Tavares considera que este facto foi desprestigiante para a marinha, a principal base do PAICV.

Praia – 20 de Janeiro – O ex-comandante de navio da força marinha do PAIGC, Álvaro Dantes Tavares, afirma que Amílcar Cabral foi assassinado por Inocêncio Kani, um dos principais elementos da força da marinha.

Numa entrevista ao Ocean Press Álvaro Dantes Tavares considera que este facto foi desprestigiante para a marinha, a principal base do PAICV.

Depois da morte de Cabral, Álvaro Dantas conta que foi preso, juntamente com outros combatentes da pátria, e que muitos pensaram em desistir da luta. Já o assassino de Amílcar Cabral, Inocêncio Kani, terá sido fuzilado.

O ex-comandante diz ainda que a morte de Cabral terá sido originada por dois motivos, a rivalidade dos guineenses com os cabo-verdianos e a ganância de poder.

“É que os cabo-verdianos, no fundo, eram um empecilho para os guineenses. Procurávamos ter um comportamento correcto, para não ferir susceptibilidades e, se calhar, éramos vistos como inconvenientes, e não compactávamos com actos de corrupção.

A isto, Álvaro Dantes Tavares junta um outro elemento: a traição. “Amílcar Cabral foi traído por indivíduos altamente colocados no PAIGC, que tinham ambição do poder”.

“Aliado a estes factores havia toda uma política desencadeada pelo colonialismo, nomeadamente o governante Spínola, que proclamava a possibilidade de uma Guiné Autónoma, desvinculada de Cabo Verde, o que estimulou ainda mais este espírito de traição dos combatentes da Guiné-Bissau.

Tavares conta ainda que, depois de assassinaram Cabral, os guineenses prenderam e amarraram Aristides Pereira, na altura o nº 2 do PAIGC. Ainda segundo o ex-comandante, tentaram levar Pereira a Bissau para servir como moeda de troca, mas o barco terá sido interceptado por um navio soviético.

“Penso que o objectivo inicial era prender Cabral para negociar a ideia de haver uma Guiné autónoma, mas ele foi assassinado por se negar a ser preso. Além disso esta era uma proposta que Amílcar Cabral nunca aceitaria, porque era convicto dos seus ideais de unir Cabo Verde e Guiné”, afirma.

Cabral, segundo Tavares, no entanto não morreu inocente, conforme revela a história. Ele já dizia que quem poderia destruir o PAIGC era o próprio partido, o que mostra que já se sentia o clima de instabilidade no seio do partido.

Álvaro Dantes Tavares, Ex-combatente da liberdade da pátria ingressou na luta armada em Janeiro de 1970 a partir da Bélgica onde fazia parte da comunidade cabo-verdiana de estudantes.

Estudou a marinha na união soviética, foi piloto e comandante de um navio de guerra, onde o seu trabalho era essencialmente escoltar o transporte de armas via marítima para a fronteira em Guiné Bissau.

Depois da independência foi condecorado comandante das forças armadas de Cabo verde de onde hoje é aposentado.

EC/Ocean Press