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No Céu de Cabo Verde - Acontecimentos

Os acontecimentos


Caro leitor, no céu de Cabo Verde acontecem muitos fenómenos e estou seguro de que mesmo para si que não costuma estudá-los a fundo, se prestares atenção, alguns não lhe vão passar despercebidos.


Satélites artificiais são fáceis de ver a olho nu. Entre eles, a estação orbital ISS (na sigla inglesa) é o mais fantástico devido a sua órbita baixa, cerca de 400km, e pelo facto de ser muito brilhante. Estes objetos, construídos pela mão humana, já confundiram muita gente a propósito de eventualmente estarmos a ser visitados por seres inteligentes.

 

 

É possível ver uma grande parte das 88 constelações e é através destas constelações que fica bastante fácil encontrar nebulosos aglomerados de estrelas, cometas, planetas, astróides e galáxias.

 

Constelações fotografadas na cidade dos Espargos

 

Chuvas de meteoritos acontecem por épocas e você deve saber isso, já que de tempo em tempo têm essas notícias nas redes sociais. Aqui chamo a sua atenção pelo facto das coisas não serem tão perfeitas como os leigos publicam. Mas se for paciente, num local escuro, durante 1 hora pode até contar muitos.


As famosas estrelas, como Sírios, Betelgeuse, Aldebarã, Riguel, Castor, Polux, Antares, Vega, Deneb, entre outras, são fáceis de se ver a olho nu, a questão é somente saber para onde olhar. A estrela Alfa Centauro, que é um sistema de três estrelas onde está a Próxima Centauro, a estrela mais próxima do nosso Sol a 4.2 anos-luz, pode-se ver a olho nu no Sul, mas já a próxima requer um telescópio modesto ou mesmo um binóculo.


A grande nuvem de Magalhães e a pequena, os livros, fala-nos de que é possível vê-las só no hemisfério sul. Entretanto, devido a localização de Cabo Verde, nas latitudes norte mais abaixo é possível ver parte da grande nuvem de Magalhães. Junto ao horizonte é fácil ver o clarão a olho nu no sul aqui no Sal, nas praias de Pedra do Lume e Santa Maria, quando o tempo está claro.


Embora a maioria das galáxias requeram telescópio, a M31, a galáxia de Andrómeda, é fácil de se ver a olho nu. Mesmo dentro da vila dos Espargos, com toda a potência dos candeeiros elétricos, consegue-se ver a mancha de luz difusa do seu terraço e é o objeto mais distante que se consegue ver a olho nu, está a 2.54 milhões de anos-luz.

 

Galaxia de Andromeda, como pode ser vista com ajuda de um binóculo. Foto com um telemómel adaptado a num binóculo.

 

À exceção de Úrano, Neptuno e o planetoide Plutão, todos os restantes planetas do nosso sistema solar são possíveis de se ver a olho nu. Com o telescópio cada planeta mostra a sua caraterística e, em alguns casos, vê-se as luas.


Luzes no céu são uma constante. Os flares, que são reflexos da luz solar nos satélites, numa noite de verão podem deixá-lo confuso, uma vez que parte de um ponto dando a sensação de estar a vir do infinito e duram uns segundos, revelando-se fenómenos luminosos bastante curiosos.


A via Láctea transcreve um arco de cor branca, de leste para o poente, mostrando a mancha difusa, assinatura de bilhões de estrelas, um espetáculo com muitas enigmas.


As manchas solares, região onde ocorre uma redução de temperatura e pressão da massa gasosa da estrela, são fáceis de serem fotografadas num nascer ou pôr do Sol. Mas atenção, não olhe para o Sol sem proteção.

 

O conselho


Caro leitor, resta-me lhe dizer que é preciso interessar-se para ter a noção das coisas fantásticas que podemos ver no céu de Cabo Verde, mas quero deixá-lo ciente de que você não vai poder ver as imagens tal qual as que as agências espaciais publicam, pois as fotos passaram por muitos filtros. Lembre-se que o olho humano não é capaz de captar toda a luz que existe, se quiser ver estas luzes terá de usar uma máquina fotográfica DSRL asociada ou não a um telescópio e ter muita paciência e muita habilidade.

 

Autor: Victor Pinheiro
Foto: Victor Pinheiro