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O Céu de Cabo Verde (A Via-Láctea)

Quando olhamos para as luzes do céu à noite, é certo que estamos a ver para o passado, mas também é certo que por causa da urbanização as luzes artificiais ofuscam as estrelas e outros corpos celestes e, obviamente, torna-se cada vez mais difícil apreciar estas luzes que, em alguns casos, (galáxias distantes), viajam desde antes da existência da humanidade.


Cabo Verde é um país apostado no desenvolvimento, a urbanização está em constante expansão, e consequentemente a luz artificial está presente, o que implica dificuldades para apreciar o céu estrelado mas, felizmente, ainda é possível ver muita coisa mesmo dentro das cidades se formos criativos.

 

Fotografia tirada na cidade dos Espargos, ilha do Sal, sob fortes condições da poluição da luz artificial. Ao fundo nota-se a Via-Láctea

 

O que ver

Agora no Mês de Setembro o internauta que evitou a poluição luminosa, obviamente notou logo ao cair da noite uma mancha de luz branca e ténue que cruza o céu no sentido Nordeste (NE), Sudoeste (SO). Esta luz trata-se de uma parte da nossa Galáxia, que segundo os astrónomos é espiral, e composta por quatro braços, Perseu, Norma, Crux-Scutum e Carina-Sagitário, e braços menores, Órion e Cignus. Entretanto, existem controvérsias sobre este assunto.


Esta luz ténue é uma parte de um destes braços, o chamado braço de Órion, ou braço local, e é o efeito de 100 a 400 bilhões de estrelas, e pensa-se que cada estrela pode conter um planeta. A olho nu é fácil ver muitas estrelas, entretanto, em boas condições, munido de um equipamento ótico, é possível descortinar as poeiras cósmicas e halos de matéria incandescentes. Como fizemos menção na matéria publicada anteriormente, a Via-Láctea parece mais brilhante para o centro, na direção da constelação de Sagitário onde está o centro da Galáxia, que infelizmente não podemos ver por causa dos gases e poeiras que preenchem o disco.


Basta olhar para esta mancha esbranquiçada para tornar-se curioso, pelo fato de como todas aquelas estrelas tendem a concentra-se em direção ao centro. Este efeito, segundo os Astrónomos, trata-se de algo misterioso chamado matéria negra, que por sua vez ninguém sabe exatamente o que é. Pensa-se que a matéria negra é a responsável para manter todo o conteúdo das Galáxias juntas sem se perder para o espaço.

 

Fotografia tirada na zona da Murdeira, ilha do Sal, nota-se ao fundo, a Via-Láctea (Braço de Sagitário), aglomerados de estrelas, nuvens de poeira cósmica, e o traço à direita trata-se de um avião.

 

Onde estamos na Via-Láctea

Qualquer pessoa pode perceber a posição do nosso sistema Solar em relação à Via-Láctea numa simples observação sem qualquer equipamento, basta prestar atenção, e perceber que a parte mais brilhante (o centro) está descaído para o Sul, este efeito indica que vemos uma metade da Galáxia, e também significa que o sistema Solar está mais ou menos no centro da Via-Láctea, e se olharmos lentamente para os lados, por exemplo, (Este ou Oeste), notamos que as estrelas ficam cada vez mais dispersas. Este efeito indica que estamos a olhar para a borda da Galáxia. Se ficarmos até de madrugada, (nesta época), notamos que à medida que a constelação do Órion sob no céu, as estrelas fazem o mesmo efeito. Neste ponto, é como se estivéssemos a ver para o nosso “quintal,” portanto, estamos a ver para o local onde estamos, (braço de Órion, ou braço local).


Já alguma vez analisou esta grande mensagem da natureza? Se não, ainda vai a tempo.

 

 

Autor: Victor Pinheiro
Fotos: Victor Pinheiro