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Sal - Casino Royal dá-nos uma oportunidade de ouro e futuro promissor – Formandos

  • O Ocean Press esteve a espreitar a formação dos Croupiers e, esteve à conversa com alguns dos formandos que deixaram as sua impressões e expetativas

Santa Maria – 26 de Outubro – A preparar para iniciar em Novembro, o Casino Royal, sito na cidade turística de Santa Maria na ilha do Sal, pertencente ao mesmo grupo que constrói o Hotel Hilton investe desde do mês de junho na formação de 45 Croupiers e, irá garantir mais de 100 postos de trabalhos diretos na ilha.

A previsão é que possa atingir um fluxo diário de clientes, 50% de locais e, 50% de turistas para além dos das outras ilhas aos fins-de-semana para conviverem num ambiente "de primeira" - com uma qualidade garantida a ser igual ou melhor a qualquer outro de nível superior a nível mundial.

O Ocean Press esteve a espreitar a formação dos Croupiers e, esteve à conversa com alguns dos formandos que deixaram-nos saber que esta formação, assim como este empreendimento, irá trazer novas luzes para a ilha do Sal, tanto ao nível de emprego, como ao nível de qualidade de serviço, mas sobretudo garantir um futuro brilhante a todos que neles apostarem.

Darlene, mãe de dois filhos – De Portugal a São Vicente; de São Vicente ao Casino

Quem nos confirmou foi Darlene Rocha da Graça, uma jovem de 21 anos, mãe dois filhos, que veio de São Vicente depois de interromper um percurso de oito anos em Portugal, entre os quais tinha iniciado o 2º anos na Universidade em Comunicação Social.

“Vim de Portugal para São Vicente à procura de trabalho depois de lá viver durante 8 anos. Sou muito agarrada há minha terra e, o viver em terras lusas estava complicado. Convivia com muitos problemas, sobretudo de adaptação, o modelo de vida. Passei muitas dificuldades, depois acabei por ficar grávida e sem apoio de ninguém. Depois passei por um processo de divórcio, com isso decidi vir para Cabo Verde com os meus filhos e mudar de vida junto da minha família”, recorda, a ex-estudante que foi a Portugal com uma bolsa de estudos.

Ao perder a bolsa e o apoio da irmã que também deixou de ter condições de ajudá-la, Darlene decidiu abandonar os sonhos e voltar, pois segundo a mesma quando aparece filhos, a prioridade é para eles.
Adiou sonhos, mas hoje tem uma nova esperança, “Adiei este sonho, mas resolvi colocar a dormir as minhas esperanças já que decidi deixar tudo e arriscar sem trabalho, sem nada. Fiz três formações de estética em Portugal, agarrei tudo, e aproveitei tudo o que podia no sentido de vir pronta para conseguir o que fosse preciso”, conta.

Lutadora, resolveu em São Vicente criar um Salão de beleza na sua própria casa, mas segundo diz, o mercado em São Vicente está saturado e pouco movimentado, decidiu uma vez mais acabar com tudo.
Com dois filhos e desempregada, resolveu pedir ajuda à irmã que vive no Sal.

"Com o horário daqui e com a abertura da Universidade no Sal, vi uma luz"

“A minha irmã é cinco estrelas. Entregou o meu curriculum e como sempre procurei também alguma coisa fora de São Vicente, agarrei a oportunidade. Foram fazer o teste de seleção em Mindelo e passei. Perguntaram-me se estava disposta a largar tudo para trabalhar, não pensei duas vezes”.

Darlene aventurou-se para a ilha com um filho e, com quatro meses de formação, já é Croupier.

Não esperava estar onde está. Com esforço e dedicação, hoje vê um futuro brilhante, “Não esperava chegar até aqui, pois a minha área não tinha nada que ver com matemática, logo aprender esta função exige muito esforço e um empenho em dobro”.

A Croupier garante que estar nesta função é uma oportunidade de ouro, num mercado de trabalho tão difícil e escasso como Sal, daí que vê está oportunidade como que começar de novo.

“Uma vida nova começou aqui. Estou a aprender, além de matemática, o saber concentrar, controlar a ansiedade, emoções, gestão, entre outras coisas. Aqui vivemos muitas coisas ao mesmo tempo. Muita novidade é um serviço relacionado com economia e estando a trabalhar com diferentes tipos de clientes, logo é muito importante a concentração. Eu já trabalhei com clientes e sei que cada um é cada um, logo esta experiência é valiosa para mim”, concluiu.

Lenine António Lopes – deixou Santo Antão e arriscou a um futuro desconhecido

Quem também nos contou a sua história, foi Lenine, um jovem de Paúl, Santo Antão que depois de dois anos na Universidade em São Vicente sentiu-se obrigado a abandonar tudo por necessidade económica e voltar à sua terra natal e ir trabalhar no campo com o pai.

“sou ambicioso, não me conformei e arrisquei”

Lenine soube através da internet da abertura do Casino e da seleção para formação. Sem fazer ideia de que se tratava, resolveu arriscar. Um jovem com ousadia e destemido, conta que antes de entrar na formação esteve a trabalhar na construção civil durante sete meses.

“Não fazia mínima ideia do que se tratava. Arrisquei quando soube, porque viu uma oportunidade a surgir, embora não estivesse desempregado na altura. Estava a trabalhar na construção civil havia sete meses. Sempre fui ambicioso e não encontrava nada de jeito, então vim para o Sal procurar uma vida melhor. Mas, nunca passou pela minha cabeça encontrar uma oportunidade destas”, recorda eufórico.
 
Mudou de vida radicalmente

“Desde que estou aqui senti a minha vida mudar completamente”, recorda ainda Lenine, afiançando que o seu envolvimento e entrega na formação tem sido tremenda e consegue sentir um evoluir em vários sentidos.
“Tenho evoluído significativamente ao nível de língua, inglesa neste caso, sabendo que aqui praticamente só se fala inglês. Tornei-me uma pessoa mais responsável. Sempre primei por ser, mas aqui aperfeiçoei mais porque há um nível de exigência excelente”, reforçou.

Já Lenine, garante que no Casino, o futuro é promissor. “Nos dias que iria iniciar a formação encontrei um emprego temporário, não me tinha preparado convenientemente, depois recebi a visita relâmpago da minha mãe que é imigrante e não nos via há quatro anos, então estava cheio de ansiedade que quase fiquei para trás. O primeiro teste que fiz foi um desastre. Fiquei de rastos, chorei desanimado, mas ligaram-me a dizer que ainda tinha uma segunda oportunidade e conseguir entrar”, recorda Lenine da sua persistência.


Novos paradigmas profissionais

No ponto de vista destes jovens o Casino Royal não será uma oportunidade apenas para eles, mas também para a Ilha e automaticamente para o país, tendo em conta que trará novas pessoas, novos recursos, novos empregos que irá contribuir para a melhoria da economia do mesmo, assim como no seu próprio desenvolvimento.

Exigência e qualidade é a palavra de ordem e os Croupiers têm noção da responsabilidade, “É muito bom trabalhar num sítio onde se exige a qualidade, e contribuir para espoletar melhorias no mercado de trabalho. Não vou desistir, vou para a frente – estou no mar e vou ter que nadar e ver outros horizontes”, remata Darlene adiantando que - vendeu tudo para vir viver no Sal, logo a aposta é em tudo, num intuito que também estará a contribuir para o futuro e o progresso deste novo empreendimento.

Recorda-se que a criação do primeiro casino do país - Casino Royal irá favorecer a criação direta de 100 postos de trabalho, tendo o grupo decidido que todos os Croupier sejam exclusivamente nacionais que no final vão receber um diploma internacional que lhes vai facilitar a encontrar trabalho em qualquer casino do mundo e, serão considerados entre outros os melhores do mundo.

AR/ Ocean Press - Redação