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Sal - Assédio aos turistas preocupa a população local Featured

  • Uma problemática social que está a colocar em causa o turismo na ilha do Sal
Santa Maria – 8 de Setembro - Um grupo de cidadãos e operadores turísticos da cidade de Santa Maria estão descontentes, pela forma como alguns cidadãos da Costa da África têm abordado os turistas nas ruas desta cidade, facto que, segundo dizem, tem criado algum desconforto e passa uma má imagem aos que nos visitam.

Segundo, o empresário, Luciano Teixeira, a situação está de tal forma descontrolada, que foge à própria competência da Polícia Nacional (PN) na ilha.

“Este problema dura há anos e sobrepõe a capacidade policial. Os turistas queixam-se do assédio dos senegaleses à saída dos hotéis, onde são perseguidos pelas ruas da cidade. Não têm liberdade para ir à praia, passearem, ou fazerem as suas compras tranquilamente, porque os vendedores ambulantes não permitem”, denuncia.

Luciano Teixeira disse que tem assistido, diariamente, turistas a seguirem estes comerciantes "não porque querem, mas sim porque são obrigados, e muitas vezes ameaçados a comprar os seus produtos, e quando recusam, alguns são agredidos”, afirmou.



Neusa Gonçalves, gerente de uma operadora turística, também partilha da mesma opinião, e salienta que “o pior é que criam pontos centrais e estratégicos, para atacarem os turistas" e que quando avistam a "policia dispersam, para mais tarde retomarem os postos como se nada fosse”.

“O Pontão por volta das 10 horas pode-se dizer que é um autêntico mercado e o que fazem neste sítio é o mesmo que fazem por toda a cidade de Santa Maria. Eles têm coragem de cobrar 1 euro aos turistas, para apreciarem os pescadores e peixeiras a limpar e a trabalhar os peixes. A Polícia Nacional passa por ali, mas eles conseguem sempre dispersar”, recorda.

A Neusa Gonçalves, também, afirma que em conversa com muitos turistas que estes se mostram descontentes com a situação.


Fotos publicadas no Facebook pelos turistas em agosto

Pois revelam sentirem-se “sufocados, com o assédio destes comerciantes ambulantes e “ilegais”.

A mesma adianta ainda, que há quem afirme que ao sair do hotel já chegou a sofrer mais de 10 tentativas de assédio.

O assunto está a “passar dos limites”, segundo os nossos entrevistados, pois para além do assédio, estes comerciantes passam-se por cabo-verdianos, alegando de forma “enganosa", que os produtos artesanais que vendem são “genuinamente cabo-verdianos”.

A Polícia conforme apontam os entrevistados tem procurado fazer a sua parte, mas ao que parece o número de agentes nas ruas são insuficientes.

Contudo, esta “abordagem agressiva” que maioria das vezes chegam até ao contacto físico e intimidativa, tem afastado os turistas que preferem ficar nos hotéis, que de acordo com os entrevistados leva a que os turistas saem do país sem conhecer mais sobre a cultura e a história local.

O Ocean Press soube que na semana passada um grupo de operadores turísticos e empresários de Santa Maria procuraram às autoridades policiais, para uma vez mais, pedir auxílio, visto que segundo defendem o que está em causa é a segurança dos turistas e a própria estrutura socioeconómica e cultural da ilha.

Entretanto, o Presidente da Câmara Municipal do Sal, Jorge Figueiredo reuniu neste último fim-de-semana com a comunidade estrangeira residente na ilha, e segundo apurámos, existe uma consciência da parte desta comunidade de que alguns dos conterrâneos não têm agido da melhor forma, mas explicam o porquê de tais atitudes.


Santa Maria - Centro Cultural: Reunião com Jorge Figueiredo

“Os turistas não vêm até nós, porque os guias nunca incluiem o nosso mercado no percurso de quem visita a ilha. Desta forma somos obrigados a interceptá-los na rua e trazê-los até nós”, desabafa um dos presentes.

Pelo que apuramos todos, estão a sentir a consequência desse, tal “assédio” e estão dispostos a um diálogo constante com a edilidade local, operadores turísticos de forma a encontrarem uma saída favorável a todos.

Em contra partida, Jorge Figueiredo desafiou aos presentes e os artesãos da ilha para desenvolverem uma feira cultural e artesanal das comunidades semanalmente, para dar às pessoas que visitam a ilha a conhecer o que esta tem de mais rico, em toda a sua diversidade.

AR/Ocean Press